Interpalco faz o diário da Fita 2009

A abertura da Festa Internacional de Teatro de Angra, foi em grande estilo, a atriz convidada para abrir a maratona de 62 espetáculos foi Glória Menezes, que interpretou Maude, uma senhora de 80 anos apaixonada pela vida. A peça chama-se “Ensina-me a Viver”, uma das mais inusitadas e emocionantes histórias de amor do século XX. É a adaptação teatral do filme “Harold and Maude”, estrondoso sucesso de público e crítica. O espetáculo emocionou duas platéias de 1500 pessoas nos dois dias que foi apresentado na tenda SESC localizada na Praia do Anil em Angra dos Reis. O ator Arlindo Lopes merece destaque pela excelente interpretação! O texto da peça é de Colin Higgins, traduzido por Millôr Fernandes e dirigido por João Falcão.

Sergio BritoNo segundo dia tivemos a honra de assistir o espetáculo “A Última Gravação de Krapp e Ato Sem Palavras I”, de Samuel Beckett, com tradução de Ângela Leite Lopes, direção de Isabel Cavalcanti e no elenco, o mago do teatro brasileiro, Sergio Britto (86 anos), o grande homenageado da FITA 2009, que nos concedeu uma entrevista falando sobre a construção da sua personagem.

"Eu procuro muito sentir o trabalho do diretor me propõe, porque é ele quem está me dando uma linha para o personagem. Se eu penso alguma coisa sobre o personagem, irei acertar com eles, diretores. Hoje em dia, com a minha experiência de vida e de teatro é tão grande, que eu não tenho método nenhum, não vou mentir pra você, ontem já tive, hoje em dia não tenho.

Antigamente quando eu era jovem, eu era muito forte fisicamente, eu tinha que fazer personagens de composição, o meu primeiro grande trabalho, foi em 1954, O Canto da Cotovia, eu fazia o “Delfim de França”, o Delfim era frágil, eu tinha umas pernas fortes, o peito forte, eu era sólido, eu tinha que caminhar com as pernas pra dentro, comecei a me fragilizar, com o perigo de ficar até afeminado, por que o Delphin de França era isso. Eu acho que a composição tem que surgir de dados específicos. Eu estou no processo de uma peça que o homem passa a peça toda dizendo: “Ai que dor no meu abdomem, como tá doendo...”. Ele está com câncer e não sabe, aos poucos a caminhada dele vai mudando, ele vai ficando mais lento, mais difícil de trabalhar."